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Lenora Lobo, piauiense de Floriano, tem uma longa carreira, construída de inquietude e de muito trabalho diariamente realizado, por uma pesquisadora-criadora do Brasil e do mundo.

Iniciando seus estudos de balé em Recife e no Rio de Janeiro, onde terminou sua formação de arquiteta na Universidade Santa Úrsula, passou pelas mãos de Klauss e Angel Vianna, Carlos Afonso e Graciela Figueiroa, antes de cursar o Laban Centre for Movement and Dance (Londres 1980/1982) e diversas oficinas de Contact Improvisation, Dança Contemporânea e Composição Coreográfica (Paris 1982 e Amsterdam 1989).

De volta ao Brasil estuda com J.C. Violla, Sônia Mota, Maria Duschenes e novamente com Klauss Vianna, de quem tornou-se assistente, quando o professor dirigia a Oficina para Atores, do Centro Cultural São Paulo, onde também atuou como programadora de dança.

Paralelamente a suas pesquisas com as danças folclóricas do Recife, Maranhão e Piauí, Lenora participou de coreografias dirigidas por Maria Duschenes, Ana Michaela e Carlos Afonso, sendo que com o espetáculo Cogito, dirigido por Fernando Villar e Eleonora Paiva, apresentou-se em Brasília, Londres e Amsterdam. Na Holanda, também integrou o elenco de Little by little, da americana Amy Gale.

Em 1991, coreografa Nósdestinos, o espetáculo-solo com que inicia, mais marcadamente, suas pesquisas com as questões do nacional-popular, e com o tema Origem, que mais tarde vai nortear as pesquisas coreográficas de seus futuros intérpretes – criadores.

Em 1990, já em Brasília, trabalhando em seu studio com alguns artistas, Lenora funda a Cia Alaya Dança, estruturada a partir de uma proposta específica de investigação de uma linguagem singular e diferenciada, que estimula a individualidade de seus intérpretes, coreografando a partir da diversidade e de sua percepção de multiplicidade de linguagem. Experimenta cruzamentos da dança com as artes plásticas, literatura e a cultura popular e constrói para esta Cia, todo um repertório marcado pela pesquisa de uma dança-teatro com traços de brasilidade.A partir de 1996, mais interessada em dramaturgia, tem parceiros como Marcelo Evelin e o pesquisador Mauricio Gaspar que divide com ela a concepção das obras …E Sonha Lobato, Máscaras e Primata Terra.

De 2004 a 2006 Lenora coreografa para a cia que completa 15 anos, o espetáculo Matracar, como um marco de resistência.Apos a turnê do espetáculo a Cia Alaya se transforma também em Núcleo Alaya fomentando as pesquisas e criações coreográficas dos interpretes criadores.

Sua insatisfação com a pouca formação para atores e bailarinos no nosso país, a faz aventurar-se na pesquisa de um método próprio, fundamentado no Movimento Consciente de seu mestre Klauss Vianna e nos Princípios de Movimento de Rudolf Laban.Seu método, em 2003 é sistematizado e encontra-se grafado num livro de Lenora em parceria com Cássia Navas, intitulado TEATRO DO MOVIMENTO, um método para o intérprete criador.

Em 2008, também em parceria de Cássia Navas, Lenora sistematiza uma nova versão de seu método, voltado para as reflexões e procedimentos com envolvem os processos criativos em dança. Também grafado em livro, esta publicação intitula-se ARTE DA COMPOSIÇÃO, teatro do movimento.

Com o espetáculo Origem em 1998, inaugura-se na Cia Alaya Dança um novo ciclo, onde Lenora estimula seus intérpretes a se transformarem em Criadores. Como conseqüência nos anos seguintes as quatro Mostras de Intérpretes-Criadores, vem fomentando uma nova geração de artistas do movimento, também engajados com a pesquisa coreográfica.

Por seus trabalhos, Lenora foi premiada como a melhor coreógrafa dos VI e VII Festivais de Dança do Triângulo/Uberlândia (1992 e 1993) e em 1994 recebeu menção honrosa/Projeto de Pesquisa Coreográfica, dentro do Troféu Manbembe de Dança/MINC. Em 1996, seus trabalhos foram premiados no I CONESUL Dança, de Porto Alegre e em 1998 recebeu o Prêmio Candango de Cultura pela direção do espetáculo Olhar de Míope, Brasília –DF. Em 2003 Lenora Lobo foi indicada ao conceituado Premio Multicultural Estadão na categoria de criadora.

De 1993 a 1998, foi pesquisadora associada do Departamento de Artes Cênicas/Instituto de Artes da Universidade de Brasília/UnB, onde além de ministrar aulas de dança e expressão corporal, orientou pesquisas de grupos, como a Arte do Movimento Fronteira Entre a Dança e o Teatro (PIBIC/UNB/1996-97). Colaborou, ainda, na reforma dos conteúdos programáticos das disciplinas de Corpo e Movimento e Expressão Corporal, e na reforma do currículo de bacharelado em Artes Cênicas. Fundamentada em sua pesquisa sobre o método “Teatro do Movimento” ministrou vários cursos dirigidos a professores de artes cênicas e educação física através do CESPE/UnB.